quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Pós-morte

Chame-me de monstro. Tantas atrocidades cometidas às cegas e ainda assim tamanha impunidade que chega até a me humilhar. Como me permiti feri-lo? Não importa mais se foi sem querer ou não, o controle de meus sentimentos está sob minha responsabilidade. Pois ninguém tomará essa responsabilidade em meu lugar, ou tomará? No final das contas, eu não fui capaz de enxergar os cursos intolerantes que meu comportamento percorria.

Você estava sempre certo, e eu, errado. Embora eu compreendesse que minha conduta às vezes saía de meu controle, sempre que entrávamos em conflito, dentro da minha cabeça, você tinha uma parcela de culpa por todas aquelas brigas. Pois para mim, sua pessoa se exaltava à toa em meio a causas fúteis. Eu não estava me pondo no seu lugar o bastante para perceber o quão imaturas eram minhas atitudes... e nem do quanto você abriu mão para beijar meus lábios. Pois meus impulsos, típicos da Revolução Industrial, não me mantinham devidamente acordado.

Mas a despeito de todas essas verdades, havia algo no qual nós dois, igualmente, estávamos errados: eu não estava a frente de meu tempo. Trucida-me a alma lembrar de suas observações animadoras sobre mim. Lembrar do quão [aparentemente] perfeita era minha condição de ser humano. Minha pessoa não era o que nós dois esperávamos...

"Falar com você é como falar com alguém de 30 anos [...] Você é tão bonito por fora e por dentro..."


O nosso clube secreto é tão sem vida na sua ausência. Minha cama já não terá mais a oportunidade de quebrar ao carregar o peso de nossos dois corpos juntos. Isso pode ser engraçado para quem ouve de fora, mas profundamente intrínseco para mim. A partir d'agora, essa cama será meu caixão.

E mesmo após o passar de todas essas eras mal passadas durante as quais minha compreensão acerca dos fatos aprimorou-se, meu único exemplo de par perfeito é ninguém mais, ninguém menos que você. E a insistência de sua imagem em minha mente talvez seja minha punição. Mas ainda assim, estarei longamente em débito com você.

terça-feira, 17 de abril de 2012

A falta

Eu sinto em mim algo angustiante
Pois um mau alojou-se em meu coração
Talvez minhas lágrimas estejam represadas
Pois estou em prantos, mas meus olhos não estão

Eu já fingi estar necessitado antes
Mas este sentimento é legítimo

Eu já tive um tesouro precioso antes
Mas por maldito descuido o perdi

Será que se de repente
O que me era tão importante voltasse
eu teria meu coração curado?

Pois conheci alguém importante no dia errado
E acho que talvez hoje teria sido o dia certo
Pois estou mais forte e mais necessitado

E sinto um vazio no coração
Porque sinto a falta de um sentimento
Um sentimento que só pode nascer
Se cultivado pela pessoa certa

sexta-feira, 23 de março de 2012

Ignorância?

Uma pessoa me chamou a atenção
Pois olhou-me usando óculos escuros
E eu contive-me apesar disso
Não é a primeira vez que isso ocorre

Eu não entendo se querem me desmoralizar
Ou se querem se divertir
Eu não sei se posso classificar como ignorância
Ou tratar isso como um bom argumento

Talvez eu esteja mais amigável
Mas isso é um mistério
Talvez você possa me decepcionar
Mas isso é um mistério
Talvez eu aja dedilhadamente
Mas isso é um mistério

Em uma época não tão remota
Acabei não me saindo bem
Talvez estejam se baseando em meus podres
Talvez eu não seja a vítima ignorada

Apesar disso não quero admitir
Que ajam como se me conhecessem
Quando na realidade
Desconhecem meu potencial

Talvez nossa amizade dure
Mas isso é um mistério
Talvez eu seja uma bomba
Mas isso é um mistério
Talvez eu esteja chateado
Mas isso é um mistério

Entenda que não tem como saber
O tipo de pessoa que eu sou
Baseando-se na pessoa que fui
E em vagas informações sobre mim

E por mais difícil que possa vir-a-ser
Eu virarei às costas a esse desconforto

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Revolução do século XXI

Uma decisão que roda na mão de uma minoria
Noventa e nove por cento é só o resto,
nós não contamos

Expressão, arte e acessibilidade
Quem se importa?
Ninguém precisa disso mesmo

Vamos só assistir a informação nos deixando
Atrás de várias portas que muitos não serão capazes de abrir

Não me entenda mal,
a cultura não morrerá
A cultura só adormecerá
E sabe-se lá aqueles que serão capazes de despertá-la

Entretenimento, informação e acessibilidade
Quem se importa?
Ninguém precisa disso mesmo

Vamos só nos render à Revolução
Já que humanos do século passado conseguiram a fórmula do século posterior

Eu falo e eu grito
Minha boca fala e é por isso eu tenho voz
Isso já é o suficiente
Pois eu posso transmitir informação oralmente

Se eu não tiver alguém com quem debater,
eu posso falar com o espelho
Se eu não tiver alguém para me escutar,
eu posso guardar meus sentimentos só para mim

Ninguém precisa ser escutado mesmo
Ninguém precisa crescer mesmo