terça-feira, 27 de setembro de 2011

"Frivologia"

Reze para seu deus
Coloque seus brincos de ouro
Compre o vestido mais caro
Vá ao bar e beba até não saber mais qual é a sua idade mental
Use drogas e faça seu cérebro acreditar que está tudo bem

Você pede às paredes uma chuva quente
Suas orelhas portam lustres sem luz
Seu vestido é tecido por estômagos vazios
A doença mental que você adquiriu no bar não durará o ano inteiro
As drogas não vão lhe abraçar quando a noite chegar

Parece que o que você viu na TV não lhe ajudou tanto assim
Parece que os artifícios que seus amigos o aconselharam não são tão bons assim
Parece que suas saídas não são tão boas assim...

sábado, 24 de setembro de 2011

Tarde demais

Você apareceu pela primeira vez como um estranho
Ainda era cedo, eu sei, mas ainda sim:
tudo era estranho

Você desaparecia e reaparecia no meu chão
Não que isso tenha sido um agravante, mas nunca lhe tive comigo de verdade
Vê? Estou tentando ser um pouco alternativo
Nunca parece que estamos perto um do outro o bastante

Meu coração chora porque não posso lhe salvar
Meu coração sente um aperto porque não posso lhe salvar da solidão
Meu coração sofre porque não tem como eu retribuir um amor...
que você nunca me deu...
que eu nem conheço...

Você nunca foi alguém que eu desejei que fosse
Você não é alguém que eu deseje que seja
Você não será alguém que eu deseje ter

É tarde demais...

domingo, 28 de agosto de 2011

Tetris

Já estive na mesma que você
Dentro de uma caixa apertada
que me impedia de crescer
E todas essas espadas furando a caixa,
fazendo furos n'Um corpo lamacento

Eu entendo perfeitamente:
um sorriso forçado pelo orgulho
Eu entendo perfeitamente:
mudando de forma, tentando se encaixar

Mas você já esteve há tempo demais
Perdeu tempo demais...

Sim, eu sei, é difícil
Você deixou cair muitos ponteiros, e isso é algo difícil de recuperar

Mas ao menos saiba que:
não existe realidade que não possa ser mudada

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Degeneração

Vejo fumaça,
mas não há fogo
Sinto meu corpo gelado,
mas não está nevando

Isso é de poluir o ar em minha volta
Isso é de congelar a alma

Dedos estão sangrando
Fios de cabelo estão caindo
Unhas cravadas nas paredes deste cubículo

O som nostálgico de um ventilador que gira
A sensação nostálgica de um vento que penetra o coração

Minha alma está congelada
Meu pulmão está desgastado
- nem todo cigarro do mundo faria pior -

Vejo luzes,
mas não apontadas para mim
Sinto rabiscos,
mas são em minha assinatura